08 março
2010
por Helena Pontes

O currículo é um documento que o candidato apresenta a possíveis empregadores com objetivo de mostrar suas experiências e competências e, quem sabe, conseguir uma oportunidade profissional. Muitas pessoas, na ânsia de conseguir a tão sonhada vaga, utilizam algumas artimanhas para ressaltar pontos positivos e passar uma imagem melhor nesta primeira avaliação e chegam até mesmo a inserir informações falsas no currículo, como cursos que não fizeram, locais que não trabalharam e conhecimentos que não possuem.

Já me deparei com situações diversas em que identifiquei mentiras em currículos de candidatos, como um rapaz que estava concorrendo a uma vaga de motoboy, mas ainda não possuía a CNH, o que só foi descoberto quando os documentos para admissão foram solicitados. Um outro que indicou períodos nas empresas maiores do que ocorreram na realidade, e quando questionado disse que queria aparentar mais estabilidade em seu percurso profissional. Ou ainda, uma estudante que informou ter conhecimento avançado em determinada ferramenta de informática, mas no teste prático mostrou que na verdade seu nível de conhecimento era básico.

Estamos falando aqui sobre honestidade e postura ética, características muito valorizadas no mercado de trabalho. Se o profissional não consegue manter a ética no processo seletivo, sendo desonesta quanto às informações prestadas, será que conseguirá manter postura diferente nas demais situações do cotidiano?

Cabe uma reflexão sobre até que ponto vale mentir na tentativa de conquistar um emprego. O risco de ser descoberto em alguma mentira deste tipo pode até ser baixo em alguns casos, mas os danos causados se esta for descoberta, são imensos, e às vezes irreparáveis. Não vale a pena correr o risco de o entrevistador perceber uma mentira em seu currículo e eliminá-lo não somente do processo que atualmente está concorrendo, mas de qualquer outro que a empresa vá realizar. Muito pior será se você conquistar a vaga e for descoberto, pois colocará em risco a confiança que seu chefe tem em você ou até mesmo seu emprego.

Hoje muitas empresas conseguem se prevenir contra este tipo de atitude sendo rigorosas em seus processos de contratação, realizando testes para avaliar conhecimentos, exigindo documentação comprobatória de cursos realizados e conferindo informações de locais trabalhados na Carteira de Trabalho, por exemplo.

Vale ressaltar que há um Projeto de Lei que tramita na Câmara dos Deputados que tenta tipificar como crime a falsidade de currículo. Trata-se do Projeto de Lei nº 6561/09, do deputado Carlos Bezerra, que propõe os seguintes termos:

“Falsificar, no todo ou em parte, currículo, ou alterar o teor ou dados de currículo verdadeiro, inserindo informação falsa nele ou em banco de dados que armazene ou disponibilize para consulta o respectivo conteúdo, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, causar dano a outrem ou fazer prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo, emprego, função, título, bolsa de estudos, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem. Pena – detenção, de dois meses a dois anos.

Talvez seja exagero levar à prisão alguém que fornece informações erradas em seu currículo, mas certamente inibiria muitos casos se esta Lei entrasse em vigor.

Gostou? Compartilhe!
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • email
  • Live
  • Netvibes
  • Twitthis
  • Technorati

Deixe um Comentário